Sete em cada dez brasileiras começam a gestação desejando um parto normal, segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mesmo assim, o Brasil está entre os três países com as maiores taxas de cesariana do mundo: a proporção passa de 60% no país, chegando perto de 90% na rede privada de saúde. A Organização Mundial da Saúde recomenda que cesarianas, procedimento que salva vidas em situações de emergência, mas também é uma cirurgia de maior porte, correspondam a até 15% dos nascimentos.

Um levantamento divulgado pela UNICEF Brasil em 13 de julho de 2026, intitulado "Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes", ouviu 94 gestantes e puérperas e 37 profissionais de saúde em São Paulo e Belém, tanto na rede pública quanto na privada, para entender essa distância entre o desejo inicial e o desfecho real do parto.

O que leva à cesárea sem indicação médica

O estudo identificou um conjunto de fatores estruturais e de informação: orientação superficial sobre o parto durante o pré-natal, pouca participação do parceiro ou acompanhante nas orientações, desconhecimento sobre o Plano de Parto como ferramenta de comunicação com a equipe de saúde, e acesso restrito à analgesia no parto normal na rede pública, o que, segundo o próprio levantamento, acaba pressionando parte das gestantes a optar pela cesárea.

Caminhos que a UNICEF aponta

Entre as recomendações do estudo estão a ampliação do acesso à analgesia no parto normal, o fortalecimento da assistência pré-natal, o incentivo à elaboração do Plano de Parto, a inclusão de parceiros e acompanhantes nas orientações, e a revisão de modelos de assistência e remuneração que hoje favorecem cesarianas sem indicação clínica. A UNICEF também lançou a campanha "Parto normal. Uma escolha que merece respeito", voltada a estimular uma experiência de parto mais humanizada e baseada na autonomia da gestante.

Onde o acompanhamento terapêutico entra

Preparo corporal, controle não farmacológico da dor e acompanhamento durante a gestação fazem parte desse mesmo conjunto de fatores que ajudam a sustentar a escolha pelo parto normal quando não há indicação clínica para cesárea, reforçando a importância de um acompanhamento pré-natal que vá além da consulta obstétrica isolada.

Fonte: UNICEF Brasil. "Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes." Julho de 2026. Dados de preferência por parto normal: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).